Eclesiastes 1

No cânon da Bíblia Hebraica, Coélet está entre os Escritos
(“Ketubîm”), mas também faz parte dos cinco rolos (“Meguilloth”),
lidos por ocasião das festas judaicas. Coélet é lido durante a Festa
das Tendas ou Tabernáculos (“Sukkot” – Ex 23,14; Lv 23,33-36), que
ocorre entre o final de setembro e início de outubro (“Tisri”/“Etanim”
– 1Rs 8,2), e lembra a alegria do dom da Torá e o tempo passageiro
em que os filhos de Israel peregrinaram no deserto rumo à terra de
Canaã.
É um livro pouco apreciado em ambiente cristão, porque lido
indevidamente sob uma perspectiva pessimista, algo que não condiz
com a relevância de sua leitura integral em dada festa judaica. Na
verdade, porém, Coélet mostra o efêmero e o transitório da
realidade, sem florilégios, pois a submete ao rigor da sabedoria que
coloca o ser humano em crise.
À diferença do livro de Jó, o mal não é o tema central do livro de
Coélet, mas a morte, seriamente considerada, porque é certeza de
cada ser humano que vive em meio às inconsistências da existência.
Fato é que a morte coloca um fim aos projetos e ilusões. Assim, o
sábio, por suas reflexões, como as ondas do mar que vão e vêm,
revela que somente o ser humano está capacitado a perceber, refletir
e se posicionar com fé diante da morte.

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