Introdução
A Carta a Filêmon foi escrita, provavelmente, entre os anos 55 e
57, em Éfeso, enquanto Paulo estava preso.
O destinatário principal é Filêmon, mas também é endereçada a
Ápia, a Arquipo e à comunidade que se reúne na casa daquele (v. 2).
Portanto, não é uma carta privada, mas sim eclesial-apostólica.
É considerada uma carta de recomendação, com a finalidade de
convencer Filêmon a receber seu escravo fugitivo Onésimo como a
um irmão, a perdoá-lo, visto que Onésimo provavelmente furtou ou
provocou algum dano financeiro a seu patrão Filêmon (vv. 18-19), e
a não lhe aplicar castigo algum. A lei romana prescrevia várias
punições se um escravo fugitivo fosse capturado, como: ser
assinalado com fogo no rosto, preso, condenado a trabalhos pesados,
crucificado ou, ainda, entregue aos animais selvagens para ser
devorado.
Há duas possibilidades de interpretação do encontro de Onésimo
com Paulo. Na interpretação tradicional, o escravo encontra-se com
Paulo, converte-se e é enviado de volta a Filêmon, uma vez que, na
lei romana, a pessoa que ficasse com um fugitivo mais de vinte dias
era considerada ladra, pois o escravo era propriedade de seu senhor.
Na segunda interpretação, Onésimo recorre a Paulo para que este
interceda em seu favor, baseando-se no costume jurídico latino
amicus domini (amigo do patrão), atestado no século I. Essa hipótese
é a mais provável, diante da preocupação de Paulo em restituir o
dano econômico causado por Onésimo e por recordar a amizade que
une Paulo a Filêmon.