Hebreus 1

Introdução
Nas demais cartas do Novo Testamento, mostra-se a situação
interna e externa das primeiras comunidades cristãs com suas
alegrias e aflições, suas lutas e dificuldades. Em Hebreus, ao
contrário, há uma reflexão teológica progressiva. Um tema uniforme
é apresentado por intermédio de uma estruturação artística e
teológica. Essa diferença essencial de Hebreus em relação às demais
cartas fez surgir a suposição de que o texto seria uma pregação oral
transmitida por via escrita. Isso parece ser confirmado pelo uso
frequente dos termos palavr a e f alar e pela ausência dos conceitos
carta e escrever.
“Só Deus sabe ao certo quem escreveu a epístola” (Orígenes,
século III). Essa é a melhor definição sobre a questão, sempre
aberta, a respeito da autoria deste texto. Mas, mesmo que se
mantenha anônimo, o autor está presente em cada página de seu
escrito. O modo semita de se expressar, a menção respeitosa aos
profetas, a identificação com os antepassados, a citação constante e
bem articulada das Escrituras indicam que se trata de um judeu. E
mais: o texto foi escrito em estilo fluente e simétrico, e até mesmo
artístico, evidenciando considerável habilidade literária, o que dificulta
a tradução e a leitura atual, já que os conceitos estéticos não são os
mesmos em culturas diferentes. O grego usado é melhor e mais
clássico que o de Paulo, mesmo permanecendo a coiné, isto é, a
forma mais difundida e comum na época em que o Novo Testamento
foi escrito.

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