Introdução a 1 e 2 Crônicas
Os livros das Crônicas formavam na origem um único volume, que
a tradução grega da LXX dividiu em dois, da mesma maneira que
fizera com o livro de Samuel e de Reis. No hebraico tem o título:
“Palavras [ou eventos] dos dias” (“Dibrê hayyamim”), expressão que
equivale a Anais ou Crônicas. No grego traz o nome de
“Paraleipômena” (“coisas omitidas”), por se acreditar que seu autor
quis completar as histórias dos livros de Samuel e Reis com notícias
que ali tinham sido omitidas. Essa interpretação da palavra foi
confirmada por Jerônimo (“Paralipômenos”, na tradução da Vulgata),
embora ele tenha sugerido o nome de “Crônica da história divina”
para descrever melhor o conteúdo da obra e sua relação com os
livros históricos. A partir desse uso de Jerônimo, “Crônicas” tornou-se
o nome oficial destes livros.
No cânon hebraico, ele ocupa o último lugar; nas edições do texto
grego e latino, as Crônicas seguem os livros dos Reis e precedem os
livros de Esdras e Neemias. Com estes últimos, Crônicas se parecem
em estilo, vocabulário, ideias fundamentais, compartilhando o gosto
por genealogias e interesse pelo culto. Além desses elementos, o fato
de os últimos versículos de Crônicas (2Cr 36,22-23) se reproduzirem
exatamente no início de Esdras (Esd 1,1-3) faz pensar que esses
livros formavam na origem um bloco unitário.