Origem do Evangelho
Como o autor não se revela dentro da narrativa, muitas são as
tentativas de identificá-lo com um dos apóstolos que estavam com
Jesus, ou seja, o coletor de impostos Mateus (Mt 9,9), que seria o
mesmo Levi de Alfeu citado por Marcos (Mc 2,14). Ainda que esse
apóstolo tenha participado da fundação de uma comunidade eclesial,
no âmbito da qual este Evangelho teve origem, o autor parece
identificar-se com um escriba hábil a serviço do Reino de Deus, capaz
de refletir sobre a novidade trazida por Jesus ao judaísmo existente
no primeiro século (Mt 13,52; 23,34).
Entre os escritores eclesiásticos, Inácio – bispo e mártir de
Antioquia († 107) – é o primeiro autor a utilizar material próprio de
Mateus na redação de algumas de suas cartas (Esmirna 1,1;
Policarpo 2,2; Efésios 19,2-3). Eusébio de Cesareia, em sua obra
História Eclesiástica, escrita no século IV, informa que o bispo de
Hierápolis, Papias (aproximadamente 125), cita Mateus como sendo o
autor de uma coleção de ditos hebraicos/aramaicos de Jesus. Ireneu,
bispo de Lião (aproximadamente 180), fala de Mateus como o autor
do Evangelho dos Hebreus. Este mesmo Padre da Igreja testemunha
que, no final do século II, o evangelho grego de Mateus estava
disponível e era aceito como autorizado. A esses testemunhos
externos deve-se acrescentar a referência “segundo Mateus” que